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ACELERADOR DE TRANSIÇÃO INDUSTRIAL (ITA) REVELA SOLUÇÕES PARA DESBLOQUEAR INVESTIMENTOS INDUSTRIAIS VERDES NO BRASIL

Novo informativo do ITA identifica projetos de "eficiência e otimização" como uma oportunidade de curto prazo para a transição industrial do Brasil, destacando financiamentos de menor custo e modelos "as-a-service" como ferramentas fundamentais para alcançar decisões finais de investimento
 
São Paulo, 12 de maio de 2026 — Hoje, o Acelerador de Transição Industrial (ITA), em colaboração com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Systemiq, lançou um informativo histórico intitulado "Financiando Projetos de Descarbonização Industrial no Brasil". O relatório fornece um diagnóstico das principais barreiras ao investimento e descreve soluções práticas para enfrentar esses desafios e acelerar a implantação de tecnologias limpas em toda a indústria pesada. 

Embora a atenção global muitas vezes se concentre em "megaprojetos", como usinas de hidrogênio verde de bilhões de dólares, o informativo do ITA identifica uma oportunidade clara e de curto prazo em projetos de eficiência e otimização. Atualizações em instalações existentes, como a substituição de combustíveis em fábricas de cimento ou a eletrificação de caldeiras no refino de alumina, são fundamentais para atingir as metas climáticas do Brasil e podem até reduzir os custos operacionais para a indústria, mas muitos projetos permanecem paralisados devido às altas taxas de retorno exigidas e aos custos de capital. 
 
O informativo destaca a magnitude do desafio: estima-se que os setores industrial e de energia no Brasil precisarão de investimentos anuais de aproximadamente US$ 60 a 85 bilhões até 2033 para se alinharem às trajetórias de transição necessárias. Projetos de eficiência e otimização são um ponto de entrada imediato, tipicamente exigindo menos gastos de capital (CAPEX), apresentando cronogramas mais curtos e carregando menos riscos do que os megaprojetos. 

"O Brasil tem uma oportunidade clara de reduzir as emissões industriais no curto prazo", afirma Faustine Delasalle, Diretora Executiva do ITA e CEO da Mission Possible Partnership. "Nossa análise mostra que, para certos projetos, as barreiras ao investimento não são tecnológicas, mas financeiras. Ao alavancar o mix certo de financiamento de menor custo e modelos de negócios inovadores, esses projetos podem acelerar os planos para a realidade". 

Principais descobertas e soluções

O informativo descreve duas soluções principais para preencher a lacuna de investimento para projetos de eficiência e otimização no Brasil, baseando-se em estudos de caso selecionados pelo ITA: 
  • Financiamento de menor custo: Com taxas de juros abaixo dos benchmarks de mercado, essas fontes de financiamento são destacadas como as ferramentas mais imediatas para reduzir o custo do financiamento para projetos industriais. Estas incluem fontes internacionais, como bancos multilaterais de desenvolvimento e agências de crédito à exportação, bem como fontes concessionais domésticas como o Fundo Clima (Fundo Nacional sobre Mudança do Clima do Brasil), cujo orçamento expandiu para mais de R$ 11 bilhões em 2025. Enquanto a taxa básica de juros (SELIC) está em níveis elevados (aprox. 15%), linhas de crédito domésticas como FINEP Reembolsável e BNDES Mais Inovação oferecem taxas significativamente menores, entre 3,7% e 3,9% ao ano. A linha Fundo Clima Direto, oferecida pelo BNDES com taxas em torno de 7,4%, ainda representa uma redução drástica no custo de capital para a indústria. 
  • Sustentabilidade-as-a-service: Para empresas hesitantes em comprometer capital do balanço patrimonial em projetos, o ITA destaca os modelos "as-a-service" como uma alternativa. Neste arranjo, especialistas terceirizados financiam, constroem e operam ativos de descarbonização (como geração de calor ou equipamentos de transformação de resíduos em energia) em troca de uma taxa de serviço, contornando efetivamente as restrições de CAPEX corporativo. 
"Os projetos apoiados pelo ITA estão na vanguarda da 'Neoindustrialização Verde' do Brasil", afirma Julia Cruz, Secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. "Este informativo fornece insights práticos sobre como a indústria nacional pode ajudar o Brasil a cumprir seus compromissos sob o Acordo de Paris hoje, mantendo-se competitiva". 

Destravando as Oportunidades de Indústria Limpa no Brasil 

O ITA conclui que, embora o financiamento de menor custo e modelos de negócios alternativos possam ajudar a destravar a eficiência e otimização para projetos no curto prazo, é necessária uma mudança mais ampla no ecossistema de financiamento para viabilizar totalmente a transição industrial do Brasil. O informativo extrai lições sobre como alcançar essa mudança a partir de exemplos internacionais e nacionais, incluindo o ecossistema de financiamento agrícola altamente bem-sucedido do Brasil, sustentado pelo Plano Safra, a principal política agrícola anual do Brasil. O plano 2024/2025 alocou mais de R$ 400 bilhões para o setor, o que permitiu que o setor privado fornecesse mais de R$ 1,2 trilhão em crédito, de acordo com dados do governo de abril de 2025, sugerindo que arranjos semelhantes para a indústria poderiam viabilizar investimentos significativos da mesma forma, inclusive para projetos de descarbonização.

O informativo foi escrito em conjunto pelo ITA e Systemiq, com contribuições da Secretaria de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil (MDIC) e outros parceiros do ITA no Brasil.

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Informações adicionais

  • Sobre o ITA: O ITA é uma iniciativa global multissetorial, lançada na COP28, para catalisar a descarbonização nos setores de indústria pesada e transporte, que representam um terço das emissões globais. Com redes abrangentes em toda a indústria, instituições financeiras e governos, o ITA reúne líderes globais para destravar investimentos em escala para a rápida implantação de soluções de descarbonização. Seu objetivo é aumentar significativamente o pipeline de projetos industriais limpos em escala comercial para reduzir as emissões e permitir a entrega das ambições alinhadas ao Acordo de Paris para esses setores.
  • Sobre a Systemiq: A Systemiq, a empresa de mudança de sistemas, foi fundada em 2016 para impulsionar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e do Acordo de Paris, transformando mercados e modelos de negócios em cinco sistemas principais: natureza e alimentos, materiais e circularidade, energia, áreas urbanas e finanças sustentáveis. www.systemiq.earth 
  • https://ita.missionpossiblepartnership.org/financing-projects-in-brazil-briefing/

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